RELATÓRIO
DO SEMINÁRIO
AS COOPERATIVAS DE TRABALHO E SUA RELAÇÃO
COM A JUSTIÇA DO TRABALHO
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O Cooperativismo de
Trabalho é sem dúvida alguma, a melhor alternativa
concreta para o enfrentamento e combate à atual
crise estrutural de desemprego que vive o Brasil.
A Federação das Cooperativas de Trabalho
do Estado do Rio Grande do Sul - FETRABALHO/RS, com o
apoio da OCERGS/RS, atenta e comprometida com a realidade
social, política e económica que atravessa
o cooperativismo gaúcho e brasileiro, organizou
um grande Seminário nos dia 07 e 08 de agosto de
2008, em Porto Alegre; AS COOPERATIVAS DE TRABALHO E SUA
RELAÇÃO COM A JUSTIÇA DO TRABALHO.
O referido encontro contou com a presença de cooperados,
dirigentes cooperativistas, assessores jurídicos,
contadores e várias lideranças políticas
estaduais e nacionais. Na abertura dos trabalhos coordenado
pelo Advogado Cooperativista, Angelo Elocir Zeni, representando
o Presidente da Fetrabalho licenciado, Paulo Dias, falaram
os convidados; Vergílio Perius - Presidente da
OCERGS/RS, Edson Brum - Deputado Estadual, integrante
da FRENCOOP/RS, Saulo Macalós - Representante da
Delegacia Regional do Trabalho/RS, Alcides Vicini - Prefeito
Municipal de Santa Rosa/RS e Ex-Delegado Regional do Trabalho/RS,
e por fim, o Deputado Estadual Alceu Moreira, Presidente
da Assembleia Legislativa Gaúcha, proferiu uma
Palestra sobre a Sociedade Convergente.
Dando continuidade aos trabalhos, o Presidente da Confederação
Nacional das Cooperativas de Trabalho - COOTRABALHO, Geraldo
Balod, que enfatizou sobre o significado do Projeto de
Lei 7009/06 para ó Cooperativismo Brasileiro. Participaram
ainda nesta mesa, o Sr. Rogério Daló, representando
a COOLACOT, trazendo as experiências e informações
atualízadas sobre a legislação e
práticas cooperativas exercidas em toda a América
Latina. E por último, a Advogada Sônia Wild
do Canto, contando sua experiência e luta pelo Cooperativismo
de Trabalho, representando os Tomadores de Serviços.
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Na sequência
do Seminário, o Deputado Federal Tarcísio
Zimmermann, Relator do Projeto de Lei 7009/06, esclareceu
sobre a importância que sua aprovação
na Câmara e no Senado, pode representar pára
a organização, regulamentação
e legitimidade do Cooperativismo de Trabalho que atualmente
enfrenta sérias dificuldades, principalmente, pelas
divergências de interpretações do
Mnistério Público ao Trabalho, dá
Justiça do Trabalho e do Sistema Cooperativo de
Trabalho.
Para enriquecer o debate sobre a problemática em
tela, o Juiz do Tribunal de Justiça do Trabalho
da Espanha, Doutor Faustino Rodriguez Garcia, falou sobre
as relações da Justiça do Traballio
espanhol e as Cooperativas de Trabalho daquele país.
Depois de relatar várias experiências exitosas
sobre o Trabalho Cooperativo espanhol, o palestrante ouviu
algumas intervenções que relataram como
o judiciário brasileiro interpreta a legislação
cooperativa.
Noutro momento importante do Seminário, talvez
o mais caloroso e que refletiu a atual realidade da Justiça
do Trabalho e as Cooperativas de Trabalho, quando os Desembargadores
Federais do Trabalho da 4a Região, Luiz Alberto
de Vargas e Ricardo Carvalho Fraga, externaram o entendimento
do Ministério Público do Trabalho e a posição
majoritária do judiciário gaúcho.
Tais relatos demonstraram claramente o que já vinha
sendo percebido através da prática adotada
pela Justiça do Trabalho em relação
às Cooperativas de Trabalho. Até aí,
nenhuma novidade, pois a perseguição imposta
às Cooperativas de modo geral, é tão
clara e evidente como inconstitucional. Assim como existem
falsos dirigentes oportunistas no cooperativismo, que
se escondem nas brechas da legislação vigente,
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também existem
os julgadores desprovidos de caotiecimento legal e distanciados
da realidade social. A grande contradição
apontada pelo Juiz Federal espanhol, Faustino Rodriguez
Garcia diz: "é equívoco e injusto,
tratar igualmente os desiguais".
Mediado pelo Diretor da Fetrabalho, Luiz Carlos Volcan,
o debate ficou mais interessante com a participação
dos Advogados Cooperativistas, Waldir Colloca Jr, de São
Paulo, e Elbio Sênm, do Rio Grande do Sul. Ambos
defenderam o Cooperativismo de Trabalho como solução
e não como problema. Respeitaram o posicionamento
do judiciário por este aceitar o debate franco
e aberto, prática que permite construir uma relação
mais justa entre as diferenças. E por outro lado,
condenaram a falta de diálogo do Ministério
Público do Trabalho que não demonstra qualquer
interesse em compor acordos e ajustes necessários
para diminuir as contradições históricas
entre capital e trabalho.
Embora os Desembargadores Federais tenham afirmado que
o problema legal das Cooperativas de Trabalho, fica por
conta das inúmeras denúncias feitas pelo
Ministério Público do Trabalho, não
podemos esquecer, que quem julga e decide sobre as Ações
Civis Públicas, é o próprio Judiciário.
Vários comentários e perguntas demonstraram
conhecimento e preocupação de dirigentes
e assessores jurídicos que aprofundaram a discussão
sobre o assunto mais polémico do Seminário.
Não se pode deixar de registrar aqui, a pertinente
manifestação da Elizabete de Freitas, mais
conhecida em nosso meio, como Beti da Cootravipa: "é
preciso mais uma vez mostrar a força das Cooperativas
de Trabalho, nada se conquista sem unidade e pressão
contra aqueles que nos perseguem. E impossível
reverter esse quadro que ameaça nossos postos de
trabalho, sem a participação efetiva dos
cooperados que devem lutar pêlos seus direitos.
Sem pressionar e mostrar quem somos e o que queremos,
não vamos a lugar nenhum. Os
políticos e o Judiciário precisam conhecer
nosso poder de mobilização e a capacidade
que temos de eleger os representantes".
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Muitas outras contribuições
importantes foram ouvidas e discutidas entre os painelistas
e participantes. Ao final, O Juiz Federal espanhol afirmou
que ficou muito surpreso com a falta de sintonia entre
o MPT, Judiciário e as Cooperativas de Trabalho.
O que viu aqui no Brasil, seria impossível acontecer
na Espanha.
A vasta programação do Seminário
oportunizou ainda, a discussão sobre Estratégias
do MPT e das Cooperativas de Trabalho. Este Painel foi
Mediado pelo Advogado Cooperativista Gilberto Wakulicz
e contou com â participação dos Palestrantes:
Elbio de Mendonça Senna, WaldÍr Colloca
Jr, Cleverson Zanardi e Givago Vieira, todos Advogados
Cooperativistas militantes.
A Advocacia Preventiva para as Cooperativas de Trabalho
foi o assunto pautado para encerrar as atividades do Seminário.
Mediado pelo Advogado Cleverson Zanardi, tevê cotío
Palestrantes: o Advogado Cooperativista Sandro Carvalho
de Fraga e a Advogada Cooperativista, Claudete Teresinha
Bourscheidt.
Antes de finalizar este breve Relato sobre o Seminário,
AS COOPERATIVAS DE TRABALHO E SUA RELAÇÃO
COM A JUSTIÇA DO TRABALHO, precisamos agradecer
a todos os participantes, sejam eles Cooperados, Dirigentes,
Contadores, Advogados, Sociólogos, Professores,
Juizes, Desembargadores, Deputados, enfim, o sucesso deste
evento se deve a cada um de nós.
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Por fim, seria injusto
não reconhecer o trabalho exaustivo da Direção
da FETRABALHO, através de sua base de apoio operacional
integrada pela Diretora Margarete, a Secretária
Melissa e sua Assistente Suzi, e especialmente, na pessoa
do Presidente licenciado Paulo Dias, que não mediu
esforços para que este Seminário fosse realizado
e reconhecido como um recomeço de uma grande luta
para fazer valer nossa vontade de continuar, trabalhando
e sonhando com uma sociedade mais justa e mais fraterna,
onde os iguais possam ter o direito de serem reconhecidos
como tais. Pois somos a esperança do futuro que
nos pertence. Viva o Cooperativismo de Trabalho. (O Relatório
completo deste Seminário será disponibilizado
pela FETRABALHO através de um DVD, que está
sendo editado pela Empresa que registrou na íntegra
este evento).
Abraços!
Angelo Elocir Zeni